Porto Nacional, 24 de abril de 2017

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Os registros da histórica passagem da Coluna Prestes por Porto Nacional

                                                                        Foto: Arquivo O Parelelo 13

Alto Comando da Coluna Prestes, que percorreu 25.000km
por todo território brasileiro considerado a  maior marcha militar já realizada no planeta

 

A Coluna Prestes teve origem com o surgimento do Tenentismo. Esse movimento político-militar, que atuou no interior do Brasil, entre 1925 e 1927, amparado por um convincente discurso, tendo as reformas políticas e sociais e o contundente combate o governo do presidente Artur Bernardes, como bandeira. Segundo estudiosos, este foi, sem sombra de dúvida, o maior levante deste gênero já ocorrido no país, que promoveu a maior marcha militar já registrada no planeta.

Esse movimento, que conturbou o país, teve seu nascedouro após a derrota do Movimento Tenentista de São Paulo, em 1924. Deste levante, alguns descontentes recuaram para o interior sob o comando de Miguel Costa< No início de 1925 eles se deparam, no Estado do Paraná, com a Coluna do Capitão Luiz Carlos Prestes, que havia partido do Rio Grande do Sul.

Os rebelados mantinham um clima de batalha permanente, tendo sempre as forças federais em seu encalço, o que causava pavor nas regiões de combates, pois a Coluna Prestes mantinha um batalhão de 1700 homens, armados com artilharia pesada, que incluía fuzis, metralhadoras, canhões e bombas de alto poder de destruição.

Nesta histórica marcha, a Coluna Prestes entrou pelo Estado de Mato Grosso, atravessando o país até o Maranhão, e em seguida percorreu parte do Nordeste, tendo que logo depois ultrapassar as fronteiras de Minas Gerais, onde redimensionou seu poder de fogo, refazendo parte do trajeto antes percorrido.

A Coluna Prestes, em toda sua história de enfrentamento com o exército, jamais foi vencida. Mesmo as forças oficiais tendo o apoio de bandos armados, de jagunços e cangaceiros, recrutados pelos coronéis e estimulados por promessas oficiais de anistias, Luiz Carlos Prestes e seus camaradas de ideais foram vitoriosos, tantos nas ações militares quanto nas pretensões políticas.

Foi este contingente de 1700 homens, armados até os dentes, amados e odiados por muitos, condutores de esperanças e de sonhos para uns e malfeitores para outros, que estava a caminho de Porto Nacional. Ao aproximar desta região, o pânico, fruto de boatos dos mais alarmantes, tomou conta do Norte Goiano, e eles, decididos em buscar mudanças para o país, continuaram penetrando os sertões do Brasil, em marcha contínua e em franco combates com as forças legalistas.

Sem nenhuma condição de conduzir alimentos, remédios, vestimentas e outros bens necessários, os rebelados se abasteciam do que era encontrado nas fazendas, cidades e vilas. Para isso, eles invadiam estabelecimentos comerciais, matavam gado das propriedades criadoras e ali substituíam arreios e animais de montaria para continuar a marcha.

Naquele mês de setembro de 1925, o Alto Comando da Coluna Prestes e seus companheiros estavam em franca marcha, após sangrentos combates em Mato Grosso. Ainda acossado pelas forças do Governo Federal, os rebeldes penetraram no Sul de Goiás, buscando chegar ao nordeste da Bahia. Para fugir da pesada artilharia dos legalistas, eles mudaram estrategicamente o trajeto e em outubro de 1925, livre da ferrenha perseguição do militarismo oficial, a Coluna Prestes, chega ao Norte de Goiás.

As notícias, em se tratando de tão histórico acontecimento, corriam com facilidade, em muitas das vezes carregadas de certa dose de exagero. Foi preocupado com a aproximação da Coluna Prestes e seus crimes e que assim poderia provocar tanto mal à comunidade portuense e da região, que o Superior do Seminário São José, Frei José Maria Audrin, na ausência do Bispo Dom Domingos Carrerot, em viagem de desobriga pelo sertão nortense, enviou um emissário ao encontro dos revoltosos, levando as eles uma longa e decisiva carta, onde se suplicava aos militares rebelados que usassem do amor, da fraternidade e elevasse seus sentimentos patrióticos e familiares ao entraram na cidade, a comunidade local os receberia com respeito devido.

Na carta, além do apelo de patriotismo aos revoltosos, o religioso informou ainda que as portas do Seminário São José estariam abertas para todos, indistintamente. Um dia depois do despacho da missiva, o Superior dos Frades Dominicanos recebeu a resposta dos dirigentes da Coluna Prestes, que dizia:

“ Excelentíssimo Reverendíssimo Frei José Maria Audrin, Superior do Seminário dos Dominicanos de Porto Nacional,
Respeitosos cumprimentos.
Na ausência do senhor Bispo de Porto Nacional, dirigiu-nos algumas linhas onde se contém um apelo em favor das famílias, cuja direção espiritual vos está confiada.
Podeis crer senhor, que não somos, como por aí se tem dito, uma horda de malfeitores de cujo contato devem fugir as famílias.
Defendemos um ideal porque, mercê de Deus, têm sabido morrer alguns moços cuja vida vale por um exemplo, e nos tem guiado, nesta longa luta de quinze meses, uma diretriz bem mais nobre do que propalam os nossos adversários.
Sentimo-nos por isso felizes em poder declarar-vos que a inviolabilidade da casa de que sois superior, bem como do colégio das Irmãs Dominicanas e quaisquer outros estabelecimentos de ensino religioso ou leigo, será sagrada para as Tropas da Revolução.
Se portanto tivermos de passar pela vossa cidade, aguardei tranqüilo a nossa chegada, certo de que nossos corações de brasileiros e a nossa honra de oficiais zelarão com devotamento pela tranqüilidade daqueles que nenhuma culpa têm dos dissídios que ora convulsionam nossa Pátria.
Solicitaremos, outrossim, secundeis a ação do Senhor Intendente Municipal no sentido de impedir que a população da cidade abandone os seus lares. É extremamente dolorosa a situação dessas famílias refugiadas às vezes nos matos, sem conforto e sem garantias de espécie alguma.
Lembrai-vos, senhor, que o lar é a melhor garantia para as pessoas e propriedades. O chefe da família, em sua casa, é um defensor valiosíssimo. É, portanto indispensável, que ele nos ajude a evitar algum abuso que contra sua propriedade algum mau soldado tente cometer. Fazei, senhor, a caridade de aconselhar o povo a não abandonar seus lares ou esconder fora deles objeto de sua propriedade.
Era este o apelo que, por vosso intermédio, queríamos dirigir ao povo de Porto Nacional e suas cercanias.
Sem mais, subscrevemo-nos, vossos admirados reconhecidos.”
Assinam:
General Miguel Costa
Coronel Luiz Carlos Prestes
Tenente-Coronel Juarez Távora
Tenente-Coronel Siqueira Campos


O grande sino da Catedral Nossa Senhora das Mercês ainda não havia convocado os fieis para o terço do meio dia naquele incomum momento para o povo portuense. Era 12 de outubro de 1925, exatamente com o sol a pino e sem nenhum aviso formal, surgiu na entrada da cidade o imponente Capitão Paulo Kruger, comandando o primeiro batalhão da Coluna Prestes, composto por 500 soldados, que foram imediatamente reconhecido e recepcionado pelos Frades Dominicanos, autoridades municipais e populares.

Duas horas depois, pelo mesmo caminho, adentrou a Porto Nacional o segundo batalhão comandado pelo Tenente Coronel João Alberto. Eram mais 700 homens que se juntaram à primeira tropa e passaram a aguardar a chegada do último contingente militar. E este não tardou. Era um efetivo composto por outros 500 combatentes e tinha em seu comando o Tenente Coronel Siqueira Campos, que como os demais, foi festejado pela comunidade portuense.

O largo da Catedral Nossa Senhora das Mercês já estava lotado de autoridades, religiosos, militares e populares, quando o Estado Maior dos rebelados se aproximou para juntar-se ao restante da tropa. Na frente vinha o General Miguel Costa, seguido pelos coronéis Luiz Carlos Prestes, Cordeiro de Farias, e o Tenente Coronel Juarez Távora. Após serem saldados pela multidão, eles imediatamente passaram a determinar deveres, direitos e obrigações a seus subordinados.

Depois de um longo diálogo entre o Estado Maior da Coluna Prestes e Frei José Maria Audrin, ficou acertado que os comandantes dos revoltosos ficariam hospedados no Seminário São José e o restante da tropa seria dividida em batalhões, com acampamentos nas cercanias da cidade, sendo que um grupo, revezando em turnos, montaria guarda nas entradas e nas principais ruas, ruelas e becos de Porto Nacional.

O período em que a Coluna Prestes permaneceu em Porto Nacional, foi de total convivência festiva e fraternal. No Seminário São José, foram dias de longas conversas amistosas e muitas confidências entraram na pauta das discussões entre militares e religiosos. As refeições, para os oficiais dos rebelados, eram servidas na sala da biblioteca dos Frades Dominicanos e contava com os mais saborosos pratos preparados pelas Irmãs Dominicanas.

Para o Estado Maior da Coluna Prestes, Porto Nacional serviu como um bálsamo naquela dura batalha pela vida e pela justiça social. Ali, tanto o oficialato como os soldados, passaram a ter uma convivência mais racional, mais humana e harmoniosa, a ponto de grande parte da tropa, juntamente com seus comandantes, passar boa parte das tardes, banhando nas límpidas águas do rio Tocantins, a brincar com a criançada local, lavando ali as desesperanças de não alcançar o ideal pretendido. Além disso, muitos daquele militares, já viajando com suas companheiras, encontradas pelos caminhos daquela dura realidade, algumas paridas e outras a esperar filhos, receberam dos religiosos portuenses as bênçãos do batismo e do matrimônio.

Na madrugada do dia 20 de outubro de 1925, após uma semana em terras portuenses, a Coluna Prestes levantou acampamento e seguiu suas estratégias militares, retirou, um a um seus batalhões, que voltaram a marchar e a buscar os mais puros e sublimes ideais já defendidos pelos militares brasileiros. Preocupado com o desfecho, que poderia vitimar aqueles destemidos homens, Frei José Maria Audrin, no dia seguinte à partida, enviou-lhes nova missiva. Desta feita, na busca desesperada da paz entre a Coluna Prestes e as tropas do Governo Federal. E assim ele escreveu:


“Excelentíssimo Senhor General Miguel Costa,
Os poucos dias que Vossa Excelência e seus distintos auxiliares do Estado Maior se dignaram aceitar uma humilde hospedagem em nosso Seminário, em Porto Nacional, foram suficientes para patentearmos, além de sue fino cavalheirismo, a bondade de seu coração e a sinceridade de suas aspirações patrióticas.
Somos e permanecemos depois deste rápido contato seus admiradores sinceros e, ao mesmo tempo, amigos compadecidos e dedicados.
Primeiro, porque acreditamos em homens que o vil interesse não guia, e que sabem imolar tudo pela defesa e obtenção de um ideal.
Segundo, porque além dos sofrimentos físicos e privações que verificamos em sua dura jornada, advínhamos um sem número de sacrifícios íntimos, que há quinze meses suportam estoicamente para alcançar um fim almejado.
Nada mais precisamos acrescentar, senhor General, para obter de Vossa Excelência a licença de apresentar algumas observações e formular alguns desejos.
Antes de tudo, seja-nos lícito cumprirmos um dever. A passagem Revolucionária através de nossos sertões tem sido um lamentável desastre, que ficará por alguns anos irreparável. Em pouco tempo, nosso povo, na sua maioria pobre, sente-se reduzido a quase miséria. Isso, é sobretudo deplorável porque esse humilde povo nenhuma culpa teve nos acontecimentos passados, ignorando até, em sua quase totalidade, os distúrbios de 1924, em São Paulo e Rio Grande do Sul.
Portanto, senhor General, se é grato dever para nós reconhecermos a elevada disciplina que tem reinado na coluna, quanto ao respeito aos lares e ao cuidado extremo do Estado Maior e o Comando de Batalhões em prevenir e castigar qualquer ofensa à moralidade e ao sossego do povo – se acreditarmos que os danos materiais sofridos pela população em gados e animais, longe de serem motivados pelo instinto de roubo, são apenas uma imposição vexatória mais fatal das duras necessidades de guerra – sentimo-nos não obstante forçado e deplorar tais prejuízos e a erguer contra eles perante Vossa Excelência, os nossos protestos.
A generosidade dos seus corações, senhor General, facilmente lhe fará compreender que nosso silêncio seria falta grave às obrigações do nosso sagrado mister apostólico: “Não podemos não calar”.
Cumprindo este dever, senhor General, volvemos novamente os olhos para Vossa Excelência e seus dignos companheiros. Mas uma vez afirmamos: parte-se de dor o nosso coração ao ver essa plêiade de jovens e distintos brasileiros metidos nessa luta insana, estranhados em nossos remotos e bravios sertões, separados há tantos meses de seus pais, mães, esposas talvez e filhos, perseguidos pelo Governo Federal e ignorando quando raiará para todos a aurora da paz.
E o mesmo sentimento que nos tem obrigado a lamentar as misérias de nosso povo, excita-nos a procurar um meio de contribuirmos para a conclusão de tantas angustias.
Por isso, senhor General, perguntamos a Vossa Excelência, se não haveria um meio de tentarmos, perante as altas autoridades da República, um entendimento entre o governo e os revolucionários. Embora desconhecidos no Brasil, embora privado de meios de comunicação, não nos seria possível procurar alguns intermediários capazes de iniciarem ao menos uma troca de idéias?
Se Vossa Excelência achar que esse nosso propósito não é inoportuno nem exagerado, peço-lhe o obséquio de indicar-me qual deveria ser nossa atitude, quais as nossas palavras, quais condições enfim que julgar convenientes, para iniciar alguma tentativa junto ao Governo da República.
Dirigindo-lhes, estas linhas, senhor General, ditadas não só por sentimento de caridade cristã, mas também pelo amor que tributo sincero à sua Pátria. Espero que Vossa Excelência, como bom cristão e bom brasileiro, as receberá com agrado e reconhecerá a lealdade do seu dedicado criado.”
Porto Nacional, 21 de outubro de 1925.
Assina:
Frei José Maira Audrin
Superior do Seminário São Joseé


Não tardou e o Alto comando da Coluna Prestes enviou ao superior dos Dominicanos um resposta definitiva sobre tão preocupante questão.
“Excelentíssimo e Reverendíssimo Frei José Maria Audrim,
DD. Superior do Seminário São José em Porto Nacional.
Acusamos desvanecidos o recebimento de sua prezada carta de 21 do corrente. Penhorados agradecemos-lhe a gentileza das palavras com que se designou cumular-nos. E como bons brasileiros, rendemos-lhe sincero pleito de admiração pelo nobre interesse que tem demonstrado em prol da pacificação de nossa Pátria.
Não ignoramos nenhuma das vicissitudes deploráveis que constituem o séquito sombrio da guerra civil. Bem medimos a grandeza da penúria em que fica a debater-se a população pobre das regiões sertanejas, por onde temos transitado. Concordamos com Vossa Reverendíssima, em que o povo, - esse humilde povo, que tantas vezes tem sido alvo das mesmas injustiças e violências que nos atiraram aos braços da revolta, e por cujo bem nos batemos, - é nesse embate de paixões, a vítima mais sacrificada.
Aceitamos, por isso, de bom grado, os protestos que, em favor deles nos dirige Vossa Reverendíssima, como ressalva de seus sagrados misteres apostólicos.
Afirmamos-lhe entretanto que só temos retirado do patrimônio do povo aquilo que é indispensável à satisfação das necessidades imprescindíveis da tropa. E se não indenizamos ao particular os prejuízos que lhes causamos, é porque, contrariamente ao que a má fé de alguns tem propalado, transitamos na revolução, tão pobres como quando para ela entramos.
De qualquer forma porém temos preocupado assegurar indistintamente a amigos e adversários, por meio de um documento idôneo, o recurso de reaver, mais tarde pelos trâmites legais, a importância total dos bens do que houveram sido despojados.
Bem sentimos a angustia dos que sofrem a privação dos bens materiais, servidos pela voragem insaciável das necessidades de um exercito. Lamentamo-nos, como se devem lamentar os que, já no fim da vida, têm, talvez, de recomeçar as provações da luta para legarem a família o pão sagrado da subsistência. Isso é humano e justo.
Há entretanto, no fundo desse quadro, alguma coisa mais dolorosa, ou mais trágica. Há o sacrifício mudo – e por isso mesmo ignorado – dessa numerosa legião de peregrinos que mal pode, às vezes, desafogar a saudade do lar distante, abandonado há quinze meses.
Há a angustia dos que naufragaram no meio da jornada, e tombaram longe da família, anônimos no tumulto da refrega.
Há em fim, espalhados pelos recantos todos do Brasil, alguns milhares indefinidos da incerteza ou do desespero.
E atrás dessa cortina de pranto e de cores, de luto e de miséria que ensombram, o viver, outrora feliz, do povo brasileiro, enxergamos com infinita tristeza e retrogradação material e sobre tudo moral de nossa Pátria.
Não julgamos oportuno discutir aqui sobre que pesará, mais tarde, a responsabilidade dessa catástrofe. O país conhece entretanto a gravidade da circunstância que nos impeliram ao sacrifício dessa jornada, nem abjuramos a fé de defensores sinceros de um ideal de justiça e de liberdade.
As palavras de paz com que Vossa Reverendíssima encerra os últimos tópicos da sua prezada carta, não são exageradas, nem nos parecem inoportunos. Cremos que a maioria do povo brasileiro, saturada de ilusões e amarguradas, almeja ardentemente por essa aurora de reconciliação que lhe restitua a alegria e a tranqüilidade.
Por isso dizemos a Vossa Reverendissima, com a serena franqueza de convencidos que aceitamos contentes esses bons ofícios. Ninguém mais do que nós deseja ver acabado esse ceifar ingrato de preciosas vidas, de irmãos e amigos, que o egoísmo dos homens ajudado pela fatalidade do destino amigo da mesma Pátria boa e generosa.
Não sabemos nem podemos ditar a Vossa Reverendíssima, essa ou aquela atitude, em se tratando de assunto delicado. Agradecemos sinceramente a sua generosa interferência, e deixamos aos impulsos de sua caridade cristã a escolha das palavras com que se houver dirigir, através de novos intermediários, ao Governo da República.
Julgamos, com os nossos prezados chefes, Marechal Izidoro Lopes e Senhor Assis Brasil, que o melhor e mais fácil meio de tranqüilizar o país será um entendimento leal e desapaixonado entre o governo e a revolução. Por isso, e em atenção ao sincero patrocínio de seus propósitos, nenhuma condição impomos para aceitá-los.
Sem mais, confessamo-nos gratos pela generosa deferência com que nos distinguiu, e rendemos a Vossa Reverendíssima, uma humilde homenagem de admiração pelo sadio patriotismo e pela caridade cristã com que se interessou pelo bem de nossa Pátria.”
Porto Nacional, 22 de outubro de 1925
Assinam:
General Miguel Costa
Coronel Luiz Carlos Prestes
Tenente Coronel Juarez Távora
Tenente Coronel Siqueira Campos


Não houve tempo hábil para se tentar o acordo proposto por Frei José Maria Audrin, e os homens liderados pelos oficiais Miguel Costa, Luiz Carlos prestes, Juarez Távora e Siqueira Campos, seguiram lutando sem conseguir derrubar o presidente Artur Bernardes. Mesmo usando todas as armas disponíveis, como a realização de comícios nas cidades e nos vilarejos do sertão, onde também eram divulgados emocionados manifestos contra a situação administrativa existente, eles não foram compreendidos.
A eleição e a posse do novo presidente da República, Washington Luiz, em novembro de 1925, e a suspensão do Estado de Sitio, que se seguiu, contribuiu para apressar o fim do movimento. Mas a reputação da invencibilidade adquirida na marcha vitoriosa de dois anos e 25.000 quilômetros percorridos, aumentou o prestigio político do Tenentismo e reforçou suas criticas às oligarquias. Com sucesso da marcha, a Coluna Prestes ajudou a abalar ainda mais os alicerces da República Velha, preparando assim o terreno para a Revolução de 1930. (Texto de Edivaldo Rodrigues)