Porto Nacional, 30 de maio de 2017

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A importância da Missão Dominicana na formação da sociedade de Porto Nacional

                                 Foto: Arquivo jornal O Pararelo 13

Grupo de Frades Dominicanos oriundos da França que chegaram em
Porto Nacional no ano de 1886. Eles são responsáveis pela implantação de
uma educação de excelência no município provocando assim um desenvolvimento
qualitativo para esta centenária comunidade.


 

A atuação da Missão Dominicana em Porto Nacional, certamente foi um dos mais importantes acontecimentos no processo de consolidação política, social, econômica, religiosa e cultural no município. A presença evangelizadora dos seguidores de São Domingos nestas esquecidas terras do então Norte Goiano, foi decisiva para a longa travessia que ali se iniciou para que se pudesse aportar neste hoje próspero pólo de desenvolvimento em que se constituiu a sociedade portuense.

Naquele momento histórico, havia um terreno próspero e necessitado da estrutura da fé católica. Assim posto, aportaram nestas terras de Felix Camoa os Frades Dominicanos. E isso se deu por articulação de Dom Cláudio Ponce de Leão, que ao ser nomeado Bispo de Goiás, em 1880, e que por isso foi obrigado a ir a Roma para ser sagrado, e por estar no velho continente, usou da oportunidade e se deslocou até solo francês, onde pediu aos filhos de São Domingos para que o ajudassem na evangelização de sua região. O pedido foi aceito.
Segundo alguns documentos arquivados no Instituto Histórico e Geográfico de Goiás, os primeiros missionários chegaram a estas terras em 20 de Outubro de 1886, oriundos da França, mais precisamente do Convento Medieval de São Maximin, cidadezinha daquele país onde eles se instalaram desde a primeira metade do século XIII, Ano Dominni 1201.

Aqui chegando, a Missão Dominicana de imediato provocou mudanças radicais nos costumes e na cultura do lugar. Isso, lógico, contrariou interesses dos mandatários, mas nada que não permitisse a implantação de uma nova mentalidade educacional, católica e de significativa relação social entre as famílias, antes isoladas no antagonismo dos seus interesses particularizados.

Além do generoso concurso da evangelização disseminada neste pequeno aglomerado urbano, e pelos largos sertões desta região, os Frades Dominicanos trouxeram e aqui implantaram uma cultura humanística, social e política. Nas escolas fundamentadas por estes religiosos, a filosofia, as artes plásticas, o teatro, o canto lírico, a música clássica e as línguas europeias como o latim, o francês, o italiano, o alemão e o espanhol, eram matérias curriculares, preparando assim a nova mentalidade educacional dessa gente com os olhos voltados para o futuro.

O contemporâneo escritor portuense Durval Godinho reporta, em sua memorável obra História de Porto Nacional que, desde os primórdios, o povo desta terra mantém estreitas relações com a igreja católica. Segundo ele, quem se ocupar do estudo dos fatores da nossa colonização e desenvolvimento, não poderá subestimar o papel desempenhado pela igreja desde os primeiros tempos do povoamento desta rica região.

Por sua vez, o Cônego Luiz Trindade da Fonseca assinala que esta junção de vontades e necessidades cristalizou na fé e na cultura uma nova visão de vida comunitária. Para ele, onde se erguiam as barracas dos mineradores, ali se levantava uma capela e, com ela, brotavam os fundamentos da sociedade estável e a afeição á terra. O religioso analisa ainda que a Cruz de Cristo, como termo de posse, foi o marco inicial de toda transformação social, política, cultural e econômica do Brasil.

Foi com esta visão, adquirida nos mosteiros europeus e em conceituadas escolas humanísticas do velho continente, com a firme convicção da necessidade de evangelizar definitivamente este rebanho, que os Frades Dominicanos penetraram a alma do povo portuense, apresentando-se como caminho viável para uma melhor condição de vida, onde a vasta cultura, o lazer, a educação e uma constante paz espiritual, era a chegada pretendida.Tudo isso, é claro, respeitando o poder de mando dos coronéis do lugar. (Texto de Edivaldo Rodrigues)